” . O americano Paul Krugman, Nobel de Economia de 2008, escreveu sobre o Pix, meio de pagamento queridinho dos brasileiros, que entrou na mira de Donald Trump. Em seu artigo “O Brasil inventou o futuro do dinheiro?”‘, publicado nesta terça-feira no site “Substack”, o economista cita vantagens do Pix e mostra por que, nos EUA, esse modelo não vingaria. Pix, Rua 25 de Março e redes sociais: O que está na mira da investigação comercial que os EUA abriram contra o BrasilEntenda: Por que o Pix entrou na mira de Trump? Pelo entendimento de Krugman, o Pix é como uma versão pública do Zelle, o sistema de pagamentos operado por um consórcio de bancos privados dos EUA. Mas, por ser mais fácil de usar, ele está substituindo rapidamente tanto o dinheiro físico quanto os cartões. Há vantagens ainda como a instantaneidade e baixos custos de transação. As autoridades brasileiras, diz ele, estabeleceram que o Pix deve ser gratuito para pessoas físicas, e o “custo de uma transação de pagamento para empresas/comerciantes é de apenas 0,33% do valor da transação, contra 1,13% para cartões de débito e 2,34% para cartões de crédito”, aponta Krugman, citando dados do Fundo Monetário Internacional (FMI). “Não posso deixar de notar que o Pix está, na prática, alcançando aquilo que os entusiastas das criptomoedas alegavam — falsamente — que seria possível com a blockchain: baixos custos de transação e inclusão financeira”, afirma Krugman. Mais Sobre PIX Big techs defendem ‘Pix para todos’ em reunião com Alckmin Na mira de Trump, Pix vira modelo de exportação. Saiba quais países estão ‘copiando’ o Brasil “Compare os 93% de brasileiros usando o Pix com os 2%, isso mesmo, 2% dos americanos, que usaram criptomoedas para comprar algo ou fazer um pagamento em 2024. Ah, e usar o Pix não cria um incentivo para sequestrar pessoas e torturá-las até que revelem suas chaves de criptoativos”, ressalta o economista. Kugman lembra que, em 2022, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) publicou um relatório preliminar sobre a possibilidade de criar uma CBDC, sigla em inglês para moeda digital de banco central, na qual a divisa era descrita como “análoga a uma forma digital do dinheiro em papel.” Mas Trump ordenou que o Fed pare de pensar nessa ideia. Krugman frisa que os EUA já têm algo que equivale a uma moeda digital do banco central — mas apenas para instituições financeiras. Os bancos mantêm contas no Fed e podem transferir fundos entre si por meio de um sistema eletrônico de pagamentos. Em reunião com Alckmin: Big techs defendem ‘Pix para todos’ Segundo o Nobel de economia, o que realmente assusta os republicanos — com razão — é a possibilidade de que muitas pessoas prefiram uma CBDC a contas em bancos privados. Qualquer tentativa de criar uma CBDC completa enfrentaria forte oposição do setor financeiro. ”Mas e quanto à possibilidade de criar uma CBDC parcial? Poderíamos manter as contas bancárias privadas e, ao mesmo tempo, oferecer um sistema público eficiente para realizar pagamentos a partir dessas contas? Sim, poderíamos. Sabemos disso porque o Brasil já fez isso”, diz Krugman, lembrando que, de fato, o Brasil está planejando criar uma moeda digital, e, como primeiro passo, lançou o Pix. Krugman: Nobel de Economia diz que tarifaço sobre Brasil é ‘maligno e megalomaníaco’ e escala ações externas de Trump Mas Krugman não acredita que os EUA terão tão cedo um sistema tipo Pix, argumentando que o setor financeiro americano tem poder demais e jamais permitiria que um sistema público competisse com seus produtos — especialmente se esse sistema público for superior. ”Na verdade, o governo Trump chegou a sugerir que a simples existência do Pix no Brasil constitui concorrência desleal para as empresas de cartão de crédito e débito dos EUA”, ressalta, referindo-se á investigação aberta pelo escritório de comércio americano contra o Brasil na semana passada. Embate com EUA: ‘Guerra tarifária vai começar na hora que eu der a resposta ao Trump’, diz Lula O segundo motivo, aponta Krugman, é que a direita americana está firmemente comprometida com a ideia de que o governo é sempre o problema, nunca a solução. Sendo assim, os republicanos jamais admitiriam que um sistema de pagamentos operado pelo governo poderia ser melhor que as alternativas do setor privado. ”Outros países podem, sim, aprender com o sucesso do Brasil no desenvolvimento de um sistema de pagamentos digitais. Mas os Estados Unidos provavelmente continuarão presos a uma combinação de interesses corporativos e fantasias cripto”, conclui Krugman. Inspirado no Pix, a Colômbia irá lançar o Bre-B em meados de setembro. A Coreia do Sul foi o primeiro país a implementar, em 2001, um sistema de pagamentos disponível 24 horas por dia e sete dias por semana, com transferência em tempo real. Hoje, segundo o Banco Mundial, mais de 120 países têm meios de pagamento instantâneo. “Mas a América provavelmente continuará presa por uma combinação de interesses e fantasias cripto”, conclui Krugman. Mais recente Próxima Governo do Goiás cria linha de crédito para empresas afetadas por tarifaço de Trump . ”